Enem: como lidar com a ansiedade pós prova?
Período é ideal para relaxar, refletir e planejar os próximos passos, mantendo o equilíbrio emocional
Depois de dois domingos intensos de maratonas de provas, milhões de estudantes em todo o país encerraram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, junto com ele, meses de estudos, revisões e expectativas. Passada a etapa mais decisiva, agora é hora de lidar com outro desafio: a ansiedade pelo resultado e a incerteza se a nota será suficiente para assegurar a aprovação no curso e na faculdade planejada.
Apesar de a mente ainda estar em ritmo acelerado, relembrando questões, revisitando respostas e imaginando possíveis cenários, especialistas em educação afirmam que este é o momento para desacelerar, cuidar do bem-estar emocional e reconhecer o próprio esforço: independentemente da nota, a jornada até aqui já representa uma conquista importante.
Respire!
Depois de semanas intensas de preparação e cobrança, é hora de desacelerar. Nesse período, é importante evitar o excesso de informações, como correções e gabaritos extraoficiais, que podem gerar comparações e alimentar a ansiedade. “O estudante já fez a parte dele, e agora o mais saudável é aceitar que o resultado está fora do controle e permitir-se relaxar”, afirma Samuel Ferreira Gama Junior, orientador educacional e de carreiras da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP.
Praticar atividades prazerosas, como sair com amigos, assistir a um filme ou simplesmente descansar, ajuda a aliviar a tensão acumulada e a recuperar o equilíbrio emocional. “Depois de tanto foco e esforço, esse é um momento de reconexão com o que traz prazer e tranquilidade. Cuidar da mente e do corpo é parte essencial desse processo”, completa o docente da Aubrick.
Lidando com a realidade
Na vida, nem sempre o resultado será exatamente o esperado... e está tudo bem! Segundo o coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP, Peter Rifaat, é fundamental que o jovem reconheça seus sentimentos e saiba lidar com as próprias expectativas, assim como com as cobranças de familiares e amigos. “A frustração faz parte do processo de crescimento. O importante é entender que o valor de uma pessoa não está atrelado à nota ou à aprovação em uma universidade específica”, destaca.
O especialista lembra ainda que o erro também faz parte do aprendizado: cada tentativa, acerto ou resultado abaixo do esperado contribui para o amadurecimento e o desenvolvimento de novas estratégias. “Acolher as emoções e conversar sobre elas é uma forma de transformar a experiência em autoconhecimento e evolução pessoal”, acrescenta Rifaat.
Equilíbrio e próximos passos
Para além da espera pelo resultado, este também é um momento de ampliar a consciência sobre as diferentes formas de construir uma trajetória acadêmica. Segundo Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas/SP, o foco agora deve estar menos em tentar prever o desempenho no Enem — já que as notas individuais e de corte só são definidas em janeiro, quanto abrem as inscrições para programas educacionais como o Sistema de Seleção Unificada (SISU) e Programa Universidade para Todos (Prouni) — e mais em compreender que o ingresso no ensino superior pode ocorrer por vários caminhos.
“Cada instituição possui modalidades próprias de seleção, bolsas e oportunidades que valorizam o percurso do estudante. Conhecer essas possibilidades ajuda o jovem a tomar decisões mais claras e tranquilas quando os resultados oficiais forem divulgados. Às vezes, o plano B se torna uma oportunidade até melhor do que o plano inicial”, opina.
Considere esperar o ano que vem
Em alguns casos, o melhor passo pode ser esperar. O período até a maratona de vestibulares de provas do próximo ano pode ser usado para revisar conteúdos com calma, investir no autoconhecimento e refletir sobre o curso ou carreira desejada.
“Reavaliar os objetivos e tentar novamente não significa fracasso, mas sabedoria. O estudante tem a vida toda pela frente para escolher o que quer e preparar-se da melhor forma. Cada trajetória é única, e dar um novo passo no tempo certo pode ser decisivo para alcançar o objetivo esperado”, finaliza o coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, Henrique Barreto Andrade Dias.






